
O Botafogo, por meio de sua estrutura associativa, tomou uma decisão estratégica importante ao acionar um gatilho que lhe permite reduzir a participação da Eagle e se tornar o acionista majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) alvinegra. Essa manobra ocorre em meio a uma disputa pelo controle do clube e a busca por novos investidores, refletindo a complexidade da gestão financeira da equipe.
A acusação central do Botafogo é de que John Textor, atual proprietário da SAF, teria simulado uma das parcelas do aporte de capital que estava previsto no acordo de acionistas. Para contornar essa situação, o clube recorreu a um dispositivo contratual conhecido como bônus de subscrição, que envolve um montante significativo de R$ 100 milhões. Com essa ação, o Botafogo alega ter se tornado detentor de 51% das ações, enquanto a participação da Eagle foi reduzida para 49%.
No último fim de semana, a diretoria do Botafogo enviou uma notificação à Cork Gully, a empresa encarregada da liquidação da Eagle Bidco na Inglaterra, em decorrência das dívidas acumuladas sob a gestão de Textor. O documento foi assinado pelo presidente do clube, João Paulo Magalhães, e visa formalizar a nova estratégia do Botafogo em meio a um cenário financeiro conturbado.
A Cork Gully já vinha sendo o ponto de contato para a GDA, empresa de Gabriel de Alba, que estava negociando a compra das ações da SAF Botafogo. No entanto, recentes entraves nas negociações levaram o clube a buscar uma nova abordagem, especialmente após alegações de que Textor não teria cumprido com o pagamento de um dos aportes acordados em 2022.
A diretoria associativa do Botafogo identificou que a terceira parcela do aporte, que deveria ter sido destinada ao clube, na verdade, não foi efetivamente utilizada. Em um documento obtido pelo UOL, o clube afirma que "jamais houve cumprimento da obrigação de aporte, mas, apenas, uma sucessão de atos simulados, fraudulentos e prejudiciais à SAF Botafogo, que jamais teve à sua disposição os valores para efetivo investimento
Um dos pontos críticos levantados pelo Botafogo refere-se a um repasse realizado pelo Lyon em 20 de março de 2024, no valor de 10,9 milhões de euros (aproximadamente R$ 58,8 milhões), que deveria ser parte do aporte. Contudo, no mesmo dia, o Botafogo transferiu 10 milhões de euros ao Lyon, configurando um empréstimo. Essa movimentação financeira gerou questionamentos sobre a real intenção de Textor em cumprir com os compromissos financeiros.




