
Martinelli brilha e faz Brasil reviver momento histórico da Copa de 1994 da Copa 2026
Quando a bola saiu do pé de Bruno Guimarães nos acréscimos da partida em Houston, o tempo pareceu fazer uma curva para levar a Seleção Brasileira de volta a 1994.
Naquele Mundial disputado nos Estados Unidos, Romário enxergou Bebeto infiltrando na área e entregou um passe açucarado para o camisa 7 marcar o gol da vitória sobre os anfitriões nas oitavas de final.
Trinta e dois anos depois, também em solo americano, foi a vez de Bruno encontrar Gabriel Martinelli com a mesma precisão, permitindo ao atacante marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Japão e colocar o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo.
Martinelli não precisou repetir a frase famosa. Bastou correr para comemorar. O olhar para Bruno Guimarães e o abraço dos companheiros disseram o suficiente.
Afinal, a assistência do volante brasileiro também carregava a assinatura dos grandes momentos da Seleção Brasileira: visão, precisão e frieza quando o relógio já parecia caminhar para a prorrogação.
O roteiro da classificação brasileira também teve muito de resistência.
Assim como em 1994, o Brasil encontrou um adversário organizado, precisou ter paciência para furar a marcação e sofreu até o último instante para confirmar a vaga.
A recompensa veio apenas nos acréscimos, quando Bruno Guimarães encontrou Martinelli atacando o espaço entre os defensores japoneses. O atacante dominou e finalizou para explodir o NRG Stadium em festa.
O gol coroou um jogador que passou praticamente toda a preparação longe dos holofotes. Gabriel Martinelli se apresentou já nos Estados Unidos após disputar a final da Liga dos Campeões pelo Arsenal.
A derrota para o Paris Saint-Germain nos pênaltis não alterou sua postura. Trabalhou em silêncio durante toda a preparação, sem discursos de efeito ou entrevistas marcantes.
Na única oportunidade em que conversou com a imprensa durante a Copa, foi econômico nas palavras, mas enfático ao garantir que estaria pronto para ajudar Carlo Ancelotti sempre que fosse necessário.
Foi exatamente isso que aconteceu em Houston. Martinelli começou no banco e entrou aos 20 minutos do segundo tempo na vaga de Matheus Cunha.
Atuou em diferentes setores do ataque, voltou para recompor defensivamente, pressionou a saída de bola japonesa e mostrou a entrega que tanto agrada à comissão técnica.
Quando surgiu a oportunidade decisiva, estava no lugar certo. Nem sempre os heróis são aqueles que passam semanas estampando manchetes ou protagonizando entrevistas coletivas.
Alguns preferem deixar que o futebol fale por eles. Martinelli pertence a esse grupo. E, em 29 de junho, escreveu seu nome na história da Seleção com um gol que valeu mais do que uma classificação.




