
Martinelli brilha e faz Brasil reviver momento histórico da Copa de 1994
Quando a bola saiu do pé de Bruno Guimarães nos acréscimos da partida em Houston, o tempo pareceu fazer uma curva para levar a Seleção Brasileira de volta a 1994. Naquele Mundial disputado nos Estados Unidos, Romário enxergou Bebeto infiltrando na área e entregou um passe açucarado para o camisa 7 marcar o gol da vitória sobre os anfitriões nas oitavas de final. Trinta e dois anos depois, também em solo americano, foi a vez de Bruno encontrar Gabriel Martinelli com a mesma precisão, permitindo ao atacante marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Japão e colocar o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo.
Martinelli não precisou repetir a frase famosa. Bastou correr para comemorar. O olhar para Bruno Guimarães e o abraço dos companheiros disseram o suficiente. Afinal, a assistência do volante brasileiro também carregava a assinatura dos grandes momentos da Seleção Brasileira: visão, precisão e frieza quando o relógio já parecia caminhar para a prorrogação.
O roteiro da classificação brasileira também teve muito de resistência. Assim como em 1994, o Brasil encontrou um adversário organizado, precisou ter paciência para furar a marcação e sofreu até o último instante para confirmar a vaga. A recompensa veio apenas nos acréscimos, quando Bruno Guimarães encontrou Martinelli atacando o espaço entre os defensores japoneses. O atacante dominou e finalizou para explodir o NRG Stadium em festa.
O gol coroou um jogador que passou praticamente toda a preparação longe dos holofotes. Gabriel Martinelli se apresentou já nos Estados Unidos após disputar a final da Liga dos Campeões pelo Arsenal. A derrota para o Paris Saint-Germain nos pênaltis não alterou sua postura. Trabalhou em silêncio durante toda a preparação, sem discursos de efeito ou entrevistas marcantes. Na única oportunidade em que conversou com a imprensa durante a Copa, foi econômico nas palavras, mas enfático ao garantir que estaria pronto para ajudar Carlo Ancelotti sempre que fosse necessário.
Foi exatamente isso que aconteceu em Houston. Martinelli começou no banco e entrou aos 20 minutos do segundo tempo na vaga de Matheus Cunha. Atuou em diferentes setores do ataque, voltou para recompor defensivamente, pressionou a saída de bola japonesa e mostrou a entrega que tanto agrada à comissão técnica. Quando surgiu a oportunidade decisiva, estava no lugar certo.
Nem sempre os heróis são aqueles que passam semanas estampando manchetes ou protagonizando entrevistas coletivas. Alguns preferem deixar que o futebol fale por eles. Martinelli pertence a esse grupo. E, em 29 de junho, escreveu seu nome na história da Seleção com um gol que valeu mais do que uma classificação. Valeu uma lembrança imediata de um dos lances mais emblemáticos das Copas do Mundo, conectando a genialidade de Romário e Bebeto ao talento de Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli em mais um capítulo inesquecível do Brasil em solo americano.
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