
O promotor Cassio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), se manifestou contra o pedido de suspeição apresentado pela defesa de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians. O pedido se refere à denúncia sobre o desaparecimento de materiais esportivos da Nike nas instalações do clube, e a defesa argumentava que Conserino não teria imparcialidade para conduzir o caso.
Em um documento ao qual o Meu Timão teve acesso, Conserino defendeu sua posição, alegando que a acusação de falta de imparcialidade é "frágil do ponto de vista jurídico, fático e até moral". Ele esclareceu que nunca foi associado ao Parque São Jorge, tendo apenas vínculo com o programa Fiel Torcedor, e que não teve contato com pessoas investigadas no clube.
"Aludiram que o signatário não goza de imparcialidade, é interessado no julgamento e por ser torcedor tem paixão incompatível com o exercício da promotoria. E, para fundamentar, a claudicante e temerária petição fizeram uma 'limpa' em seu Instagram, inclusive colacionando fotos particulares de seu filho e de sua esposa, em atitude mais do que baixa, demonstrando fraqueza técnica insuperável e de moralidade duvidosa", afirmou Conserino.
O promotor também destacou que foi escolhido por sorteio no dia 22 de julho de 2025 para investigar a representação de um torcedor do Corinthians, que resultou em um procedimento investigatório criminal. Essa investigação gerou desdobramentos, incluindo outras duas representações que foram encaminhadas à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, visando a possível instauração de um inquérito civil para avaliar uma intervenção judicial no Corinthians.
Ao abordar as imagens em que aparece frequentando a Neo Química Arena e usando a camisa do Corinthians, Conserino argumentou que sua condição de torcedor é anterior ao início das investigações. Ele fez uma ironia ao mencionar o atacante Yuri Alberto, sugerindo que, se a defesa insistisse nesse tipo de argumentação, poderia ser questionado sobre sua relação com o jogador em futuras decisões.
"Esse argumento é tão fraco que beira a autofagia e chega a ser até irritante. Daqui a pouco vão dizer que antes de qualquer decisão que tomo no processo pergunto ao Yuri Alberto. Se essa argumentação de suspeição prosperar, certos concursos públicos vão exigir certidão negativa de torcida organizada; enfim, quem não consegue rebater os fatos normalmente tenta discutir a camisa. Se torcer para um clube gera suspeição, o próximo passo é exigir que o juiz de um clássico torça para o Íbis. Daqui a pouco vão dizer que meu diploma de direito veio com o escudo do Corinthians, vão dizer que o promotor de justiça é suspeito, porque torce para o bem da sociedade", declarou Conserino.




