
Santos regulariza pagamento de direitos de imagem antes de duelo na Sul-Americana
Na noite desta terça-feira, 21 de novembro, o Santos Futebol Clube entra em campo na Venezuela para enfrentar o Universidad Central pela Copa Sul-Americana.
Em um momento delicado, o clube conseguiu quitar uma das parcelas referentes aos direitos de imagem que estavam em atraso, um valor que gira em torno de R$ 7 milhões e correspondia ao vencimento de maio.
Apesar desse avanço, ainda restam outras duas parcelas pendentes, além de um transfer ban imposto pela FIFA devido a uma dívida de aproximadamente R$ 15 milhões com o Monaco.
O descontentamento entre os jogadores em relação à situação financeira do Santos se tornou evidente no último domingo, 19 de novembro, véspera da viagem para a Venezuela.
Durante uma reunião no CT Rei Pelé, atletas se encontraram com Marcelinho, filho do presidente Marcelo Teixeira, e um representante do departamento financeiro.
Na ocasião, foi explicado que a prioridade da diretoria é regularizar os pagamentos aos jogadores para evitar um agravamento do clima interno, embora não tenha sido estabelecido um prazo específico para a quitação dos valores em aberto.
Na última segunda-feira, 20 de novembro, durante o último treinamento antes da partida, realizado no Centro Social Club Madeirense, próximo ao local de concentração da equipe em Valencia, o diretor executivo do Santos, Alexandre Mattos, comentou sobre a situação financeira do clube e a conversa com os jogadores.
Ele destacou a transparência da gestão em meio às dificuldades financeiras. "Conversamos bastante com eles e fomos transparentes.
Essa gestão, por mais dificuldades que tenha, não foge de dar a cara a tapa, de ligar e chamar os atletas e seus representantes para conversar. Estamos trabalhando.
Temos a credibilidade de nunca ter vivido algo desse tamanho. Pagamos algumas situações recentemente, como transfer bans e acordos de dívidas, o que acabou impactando o caixa. Confiamos muito no ambiente.
Para o jogador tomar uma atitude dessa, ele precisa estar insatisfeito com o ambiente de trabalho, e esse não é o caso. A cidade é excelente, o clube é acolhedor.
Eles sabem que a melhor maneira de nos ajudar é competindo e vencendo jogos, para que possamos voltar a equilibrar as contas", explicou Mattos.
Alexandre Mattos também ressaltou o trabalho do técnico Cuca, que tem se esforçado para garantir que os problemas extracampo não interfiram no desempenho da equipe.
O dirigente reconheceu que os atrasos salariais têm gerado incômodo entre os jogadores, mas elogiou a condução do treinador diante desse cenário adverso. "Vamos ter que ir passo a passo, jogo a jogo.
Sabemos dos problemas que temos aqui dentro e quais são as nossas prioridades. O Cuca também entendeu isso. Quando o escolhemos, ele compreendeu a cultura e o DNA do clube.
Ele me falou várias vezes nos últimos dias que o cenário é muito parecido com o que já enfrentou em outros momentos, com os mesmos problemas e dificuldades.
Abrimos o coração para ele, fomos transparentes, e ele compreendeu totalmente. Está usando a experiência dele para tirar o melhor do grupo, fazendo jogadores atuarem em mais de uma função.
Estamos retomando a temporada, fizemos um bom jogo, mas precisamos corrigir detalhes para voltar a vencer. Merecíamos ter ganhado do Botafogo.
No dia a dia, a liderança dele tem sido fundamental e o trabalho é de excelência", afirmou o diretor executivo.
Em uma entrevista coletiva, Alexandre Mattos também assumiu a responsabilidade pela campanha irregular do Santos nas competições do primeiro semestre e elogiou o trabalho do presidente Marcelo Teixeira.
Para ele, a diretoria teve que tomar decisões difíceis para equilibrar as finanças do clube, incluindo a venda de jovens promessas como Souza, negociado com o Tottenham, e Luca Meirelles, transferido para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.
"Eu não fujo da minha responsabilidade. Assumo totalmente. Me sinto responsável por todo o Departamento de Futebol e, principalmente, pelos resultados negativos. Os positivos eu deixo para os atletas e para o presidente.
O Marcelo faz o que pode e o que não pode para que o Santos esteja bem, seja em estrutura ou gestão. A nossa obrigação profissional é ajudá-lo, e, neste caso, criando receitas.
Também precisamos manter a transparência e servir de interlocução entre diretoria, conselho e jogadores. Assumo a responsabilidade por tudo. Conseguimos realizar vendas importantes, com valores expressivos.
Respeito quem pensa diferente, mas vendemos o Souza, com o Santos brigando para sair da zona de rebaixamento, por mais de 15 milhões de euros. Também negociamos Soteldo e Luca. Não é algo que desejamos fazer.
Quando vendemos jogadores desse nível, perdemos tecnicamente. Imagine o time que teríamos com eles. " Mattos também enfatizou que a solução para os problemas financeiros do clube não será imediata.
"Nada será resolvido da noite para o dia. Temos muitas coisas para evoluir e melhorar. O que mostramos ao torcedor é o nosso empenho, trabalhando 24 horas por dia em busca de soluções.
Sei que, no futebol, o que mais chama atenção é contratar jogadores, mas grande parte do nosso trabalho é manter o ambiente equilibrado, ter jogo de cintura, ser transparente, administrar as situações do dia a dia, dar a cara a tapa, mobilizar, incentivar e ajudar o clube como um todo.
Vou continuar fazendo isso até o fim do ano e veremos o que conseguiremos alcançar daqui para frente", finalizou o dirigente. A reportagem do Lance! viajou à Venezuela a convite do Santos Futebol Clube.
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