
Vinicius Júnior lamenta após eliminação do Brasil para a Noruega na Copa. Durante décadas, o Brasil teve uma identidade clara. Todos sabiam quem era a referência técnica, emocional e competitiva da equipe. Houve o time de Pelé, depois o de Romário, o de Ronaldo Nazário e, mais recentemente, o de Neymar. Havia uma hierarquia natural. Nos momentos decisivos, todos sabiam quem chamaria a responsabilidade. O BO estava ali, é ele quem resolve! Bate no peito e vai!
Hoje, a sensação é diferente. Quem é a cara da seleção? Quem assume o jogo quando ele pesa? Quem pede a bola para decidir? Essa falta de identidade se reflete em pequenas decisões, como a ordem das cobranças de pênaltis, mas também na maneira como o time se comporta em campo.
O futebol é feito de ambiguidades. A entrada de Neymar poderia significar ter o principal jogador cobrando um pênalti decisivo aos 20 minutos. Ao mesmo tempo, taticamente, a equipe perdeu a intensidade de marcação que Rayan oferecia. Uma decisão resolve um problema e cria outro.
O mesmo acontece com Endrick. Há poucos meses, era o nome mais pedido pela torcida e pela imprensa. Hoje, já é alvo de críticas. O futebol muda rápido, mas princípios não deveriam mudar. É a seleção de Ancelotti? Que bancou o Rayan por toda Copa, mas o tira para colocar Endrick e Neymar e jogar pra torcida? Qual é a cara e o que podemos esperar? E o Luiz Henrique, o cara que bagunçava o adversário durante todo o ciclo, ficou esquecido?
O Brasil precisa recuperar sua identidade. Precisa voltar a formar protagonistas. Não apenas jogadores talentosos, mas líderes que assumam a responsabilidade quando o jogo exige coragem. Porque seleções campeãs não são construídas apenas com qualidade técnica. São construídas com hierarquia, personalidade e protagonistas que querem decidir.
Foi assim com Pelé, Romário e Ronaldo Nazário. Eles entendiam que ser o melhor jogador significava também carregar o peso das decisões.
O erro não foi de Bruno Guimarães por bater o pênalti. Só erra quem assume a responsabilidade. A questão é que o principal jogador da seleção precisa querer esse momento. A Copa era do Vini, o melhor disparado desse Mundial com a camisa da seleção. O melhor não estar na lista dos 5 batedores é loucura.
Futebol é momento, e protagonismo não é um título: é uma atitude. O Brasil precisa de jogadores que peçam a bola quando ela mais pesa, porque é assim que se constroem grandes histórias e grandes seleções. Haaland decidiu ontem nas duas oportunidades que teve, o Messi decide pela Argentina.
O CR7 com mais de 40 anos está peitando em campo e em coletiva. E no Brasil? Quem fala? Me dá que isso é meu! E isso vale pra vida, só vence quem todo dia acorda pronto pra assumir o protagonismo de suas escolhas e não apenas deixar o acaso ditar as regras. Ontem, a Noruega ditou o jogo, e, diante de uma camisa como a do Brasil, não deveria ser assim!




